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Metodologia Lean – O que é? Objetivos, Para que serve

Lean ou Metodologia Lean, é uma filosofia de gestão empresarial inspirada em práticas e resultados do Sistema Toyota de Produção, que busca aumentar a produtividade e a eficiência, evitando desperdícios, sem criar estoques, tempos de espera, superprodução, atividades desnecessárias, entre outros

Conhecida também pelo termo “Produção Enxuta”, a lean utiliza metodologias e ferramentas eficientes para diminuir os tempos de ciclo e custo de materiais aumentando a competitividade do negócio de maneira significativa.

O conceito Lean tem como objetivo otimizar todos os processos na criação, produção e entrega de um produto. O pensamento Lean engloba uma grande variedade de práticas, sistemas de qualidade e gestão da produção, num sistema integrado, que trabalham em colaboração para servir o cliente com o menor nível possível de perda.

Escrito por José Sérgio Marcondes
Postado 07/04/2022

O que é Lean?

O conceito lean teve sua origem no Toyotismo, sistema de produção idealizado por Taiichi Ohno e que foi difundido em meados das décadas de 1950 e 1960, momento no qual o Japão saia de um cenário de derrota durante a Segunda Guera Mundial e perda de produtividade, escassez de recursos, redução de demanda e estagnação do mercado.

Segundo Ohno, (1997) o país precisava com urgência alcançar a produtividade dos Estados Unidos, e o principal setor para alavancar essa mudança seria o setor automotivo.

Neste época, o mundo vivia o momento do sistema de produção em massa criado por Henry Ford, conhecido como Fordismo. Nesse sistema, até então inovador, Ford conseguia atender a demanda do mercado de uma forma que a produção artesanal não foi capaz de fazê-lo até então, dada a rapidez da linha de montagem em seu processo produtivo.

Alo longo do tempo essa produção ágil e uniforme criou uma nova demanda do mercado, que buscava produções em menores quantidades e com maior variedade de produtos (Ohno, 1997). Foi percebendo essa oportunidade que Taiichi Ohno deu início ao desenvolvimento do que posteriormente seria conhecido como Sistema Toyota de produção.

O Sistema Toyota busca a redução dos custos por meio de soluções que contemplam identificação e a eliminação de desperdícios, produzindo apenas o necessário, na quantidade requisitada e no momento necessário (Filosofia Lean).

Quais os Tipos de Métodos Lean?

  1. Lean Manufacturing: Manufatura Enxuta;
  2. Lean office: Escritório Enxuto;
  3. Lean healthcare: Assistência Médica Enxuta;
  4. Lean construction: Construção Enxuta; e
  5. Lean Service: Serviços Enxutos.

O pensamento Lean engloba uma grande variedade de práticas, sistemas de qualidade e gestão da produção, num sistema integrado, que trabalham em colaboração para servir o cliente com o menor nível possível de perda. Essas perdas não se limitam apenas em um contexto industrial, sendo encontradas também em outros ambientes empresariais. Por isso, existem hoje várias vertentes e tipos do Lean, como:

1. Lean Manufacturing

Lean Manufacturing ou Manufatura Enxuta é um termo utilizado para se referir ao sistema de produção desenvolvido pela Toyota, no Japão, em 1950.

A Lean Manufacturing refere-se a um sistema de gestão empresarial que se baseia na filosofia da eliminação dos desperdícios, otimização dos recursos e processos, e na eficácia e eficiência produtiva. A ideia central é maximizar valor para o cliente e minimizar o desperdício ou seja, criar mais valor para clientes com menos recursos.

2. Lean office

Lean office ou Escritório Enxuto, refere-se a aplicação da Filosofia Lean em áreas administrativas, buscando eliminar desperdícios e agregar valor ao cliente. Surgiu a partir dos conceitos da produção enxuta, visa a redução de desperdícios dentro dos escritórios, por meio de um fluxo contínuo de processos que agreguem valor ao produto/ serviço entregue ao cliente, busca melhorias constantes, maximização de lucros e a redução de custos.

3. Lean Healthcare

Lean healthcare ou Assistência Médica Enxuta refere-se a aplicação da Metodologia Lean na área da saúde para criar e proporcionar o máximo de valor agregado do ponto de vista dos pacientes, pela redução de erros e tempo de espera e ainda implementar uma rotina de atendimentos uniformizada e humanizada, na qual a equipe trabalhe em sincronia e com agilidade, diminuindo desperdícios e aproveitando potencialmente o conhecimento e habilidades de todos os colaboradores envolvidos nos processos.

4. Lean construction

Lean construction ou Construção Enxuta, refere-se a aplicação da metodologia Lean na área da construção civil. O objetivo é construir obras considerando as questões relacionadas a sustentabilidade. Isso significa evitar desperdícios, com matéria prima, mão de obra, tempo e dinheiro. Consequentemente aumentar a produtividade, gerar mais segurança para os trabalhadores, melhorar a qualidade das entregas, gerando valor para o cliente, e garantido mais eficiência a construção civil.

5. Lean Service

Lean Service ou Serviços Enxutos refere-se a aplicação da metodologia Lean ao setor da prestação de serviços. Lean Service pode ser definido como um sistema de operações padronizáveis, constituído apenas por atividades que geram valor para o cliente, com foco nos intangíveis explícitos e visando atender às suas expectativas de qualidade e preço.

A aplicação do Lean Service é baseada nos princípios do Lean com adaptações para empresas prestadoras de serviços, como por exemplo, em setores como assistência técnica, alimentação, manutenção e segurança privada.

O que é Metodologia Lean?

Metodologia Lean ou Método Lean é uma filosofia de gestão organizacional que tem como objetivo eliminar os desperdícios e principalmente aumentar eficiência e qualidade fabril. Conhecido também pelo termo “Produção Enxuta”, utiliza metodologias e ferramentas eficientes para diminuir os tempos de ciclo e custo de materiais aumentando a competitividade do negócio de maneira significativa.

A Metodologia Lean busca produzir melhor, com redução de recursos e tempo, além de incorporar mais valor ao cliente.

O significado da palavra lean se refere a algo reduzido, enxuto. Portanto, a metodologia lean indica o caminho para evitar desperdícios e focar no essencial.

O conceito Lean tem como objetivo otimizar todos os processos na criação, produção e entrega de um produto. Esse pensamento ficou famoso após a Toyota adotar essa estratégia para produzir sem desperdiçar. Por isso, ficou conhecida também como metodologia lean Toyota, ou “toyotismo”.

A implementação da filosofia Lean resulta de um conjunto de práticas simples que visam otimizar os processos produtivos, baseados em uma nova forma de pensar a gestão (Liker, 2004, referido por Sebrosa, 2008). Essa gestão deve ser realizada de forma integrada entre os setores e com envolvimento de todos os colaboradores, de forma que haja harmonia no nível de produtividade nas atividades realizadas e o máximo de rendimento na eficiência possível.

Qual o Objetivo da Metodologia Lean?

Fazem parte dos objetivos do Método Lean:

  • Maximizar o valor do cliente, criando mais valor nos processos e produto final;
  • Tornar a empresa mais enxuta,
  • Eliminar os desperdícios, em diversos níveis;
  • Destacar as demandas que são prioridades;
  • Cortar problemas/gargalos que impedem que os processos fluam naturalmente;
  • Garantir que a lógica do trabalho esteja clara para todos os envolvidos;
  • Otimizar processos, agilizar e enxugar produção;
  • Garantir que as entregas sejam entregues com qualidade;
  • Praticar aprimoramento e melhoria contínua;
  • Reduzir custos;
  • Melhorar ambiente de trabalho para os funcionários.

Lean Thinking – Pensamento Enxuto

O Lean Thinking, pensamento enxuto em português, é uma filosofia para as estratégias empresariais que foca no fluxo do valor para o cliente, buscando a máxima eficiência na produção despendendo o mínimo de recurso possível.

O termo foi cunhado por James Womack e Daniel Jones para denominar uma filosofia de negócios baseada no Sistema Toyota de Produção que olha com detalhe para as atividades básicas envolvidas no negócio e identifica o que é o desperdício e o que é o valor a partir da óptica dos clientes e usuários.

As práticas envolvem a criação de fluxos contínuos e sistemas puxados baseados na demanda real dos clientes, a análise e melhoria do fluxo de valor das plantas e da cadeia completa, desde as matérias primas até os produtos acabados, e o desenvolvimento de produtos que efetivamente sejam soluções do ponto de vista do cliente.

5 Princípios da Filosofia Lean

Segundo Womack e Jones existem cinco princípios básicos do Lean Thinking (também chamada de filosofia lean), são:

  1. Valor – percepção que o consumidor tem sobre o produto ou serviço;
  2. Cadeia de Valor: caminho pelo qual passa o valor;
  3. Fluxo: modo como o valor passa pela cadeia de valor;
  4. Produção Enxuta: produzir somente o necessário e quando o cliente solicitar; e
  5. Perfeição: busca da melhoria contínua.
Cinco Princípios Básicos do Lean Thinking

Descrição dos princípios essenciais da filosofia Lean para o funcionamento adequado da Lean Manufacturing:

  • Valor: É a percepção que o consumidor tem de um bem que atenda seu conjunto de necessidades. De acordo com Shultz et al. (1994, p. 25), “para o consumidor, a percepção é a verdade. A percepção pode não estar correta, mas é o que ele conhece, e o que ele conhece é tudo o que ele precisa conhecer”. Na filosofia enxuta, é importante identificar o valor do seu produto ou serviço;
  • Cadeia de Valor: Se refere ao caminho por qual passa o valor. Porter (1985) define como o fluxograma dos conjuntos de atividades essenciais para a agregação de valor ao produto ou serviço. A mesma deve ser identificada ao longo do trabalho;
  • Fluxo: Significa o modo como o valor passa pela cadeia. O fluxo deve ser contínuo e o valor deve ser entregue rápido para o consumidor;
  • Produção Puxada: Uma das principais características do Lean. Ter uma produção puxada significa produzir somente o necessário e quando o cliente solicitar (o cliente “puxa” a produção, dando início ao processo), evitando custos com armazenamento ou processamento em excessos e tendo maior eficiência em sua produção;
  • Perfeição: Deve-se sempre buscar a perfeição, filosofia conhecida pela cultura japonesa como Kaizen. O processo deve estar em constante melhoria com o apoio integral de todas as pessoas envolvidas (funcionários, gerência, fornecedores, dentre outros). Além disso, o processo deve ser enxergado de forma dinâmica, estando aberto a melhorias que busquem trazer maior eficiência às atividades realizadas.

O que Significa Lean Manufacturing?

Lean Manufacturing, em português Manufatura Enxuta é um termo utilizado para se referir ao sistema de produção desenvolvido pela Toyota, no Japão, em 1950. O termo “Lean Manufacturing” foi usado pela primeira vez no livro “A máquina que mudou o mundo”, escrito por Jones Womack e Daniel Roos. Refere-se a uma filosofia de gestão baseada em sistemas integrados, que trabalham em colaboração para servir o cliente com o menor nível possível de perda.

O Sistema Lean Manufacturing é sistema de gestão empresarial que se baseia na filosofia da eliminação dos desperdícios, otimização dos recursos e processos, e na eficácia e eficiência produtiva. A ideia central é maximizar valor para o cliente e minimizar o desperdício ou seja, criar mais valor para clientes com menos recursos.

Lean é uma palavra da língua inglesa, cuja tradução é magro, ou enxuto no contexto empresarial. Enxuto é um adjetivo que caracteriza algo que foi enxugado, ou seja, que se extraiu ou reduziu a quantidade de água existente.

No sentido figurativo, uma empresa enxuta é aquela que enxugou desperdícios e gastos. Já manufacturing é manufatura, em inglês o termo é usado para se referir à produção industrial. Lean Manufacturing, portanto, pode ser traduzido como manufatura enxuta ou produção enxuta.

Filosofia “Lean Manufacturing

Lean é uma filosofia a se fundir na cultura organizacional, cujo envolvimento dos gerentes e compreensão de todos os colaboradores é imprescindível nas operações a serem realizadas.

O termo “Lean Manufacturing” foi usado pela primeira vez no livro “A máquina que mudou o mundo”, escrito por Jones Womack e Daniel Roos e publicado em 1990 nos Estados Unidos. Segundo Womack e Jones (2005), o Lean e sua filosofia de gestão devem ser aplicados em todas as áreas de gestão da organização, desde a área de compras à área produção, recursos humanos ou marketing, por exemplo.

Giannini (2007) diz que o pensamento Lean engloba uma grande variedade de práticas, sistemas de qualidade e gestão da produção, num sistema integrado, que trabalham em colaboração para servir o cliente com o menor nível possível de perda, ou até inexistente.

Essas perdas não se limitam apenas em um contexto industrial, sendo encontradas também em outros ambientes (Tapping e Shuker, 2010). Por isso, existem hoje várias vertentes do Lean, como o Lean Office (voltado para áreas administrativas), Lean Healthcare (voltado para área da saúde), Lean Construction (para a área de construção civil), dentre outros. Porém, todos com a prática de fazer mais com menos.

O que é Desperdício?

A filosofia Lean Manufacturing se baseia prevenção e redução dos desperdícios. No que tange as áreas trabalhadas pelo Lean, o principal foco é na redução ou extinção de desperdícios.

De acordo com Womack & Jones (2004), desperdício é qualquer atividade humana que absorve recursos, mas não cria valor. De acordo com o autor fazem parte dos desperdícios:

  • Erros que exigem retificação;
  • Produção de itens que ninguém deseja ou precisa;
  • Acúmulo de mercadorias nos estoques;
  • Etapas de processamento que na verdade não são necessárias;
  • Movimentação de funcionários e transporte de mercadorias de um lugar para o outro sem propósito;
  • Grupos de pessoas em uma atividade posterior que ficam esperando porque uma atividade não foi realizada dentro do prazo; e
  • Bens e serviços que não atendem às necessidades do cliente.

Quais são os 7 Tipos de Desperdícios do Lean?

  1. Superprodução;
  2. Espera;
  3. Transporte;
  4. Excesso de processamento;
  5. Inventário (ou estoque);
  6. Movimentação; e
  7. Defeitos.

A posteriori, um oitavo desperdício também começou a ser considerado, no que tange não aproveitamento dos recursos humanos (Liker, 2005, apud Fabbri, 2011), não utilizando o potencial intelectual dos funcionários da melhor forma possível e não dando abertura ao mesmo para opinar e contribuir com o aperfeiçoamento do processo.

7 Tipos de Desperdícios do Lean
  1. Superprodução: o desperdício por produção em excesso acontece quando a quantidade produzida é maior do que o necessário para atender a demanda do cliente. Shingo (1996) especifica que o sistema de produção enxuta costuma ter como foco inicial a atuação nesse desperdício, com o objetivo de eliminá-lo inteiramente. As consequências desse desperdício na organização podem acarretar no aumento da dificuldade de controle da produção e produtos estocados, aumento dos custos de armazenamento e diminuição no nível da qualidade, tanto do produto final quanto do processo.
  2. Espera: De acordo com Ohno (1997), o desperdício de espera envolve o tempo ocioso até o recebimento de materiais, pessoas, informações ou equipamentos. Em outras palavras, é o tempo no qual a produção está ativa, porém não se está agregando valor devido a algum gargalo na produção, no qual acarreta na espera do restante do sistema.
  3. Transporte: Esse desperdício é bastante comum, no qual envolve o transporte de produtos ou materiais sem agregar valor ao produto final e consequentemente gerando maiores custos de produção. Shingo (1996) ressalta que é importante entender este conceito, pois o desperdício com transporte deve ser eliminado ao máximo e não melhorado. Por exemplo, mecanizar um transporte antes manual consiste apenas na mecanização do transporte, porém o mesmo ainda existe e não implica obrigatoriamente em um espaço mais eficiente dessa atividade.
  4. Excesso de Processamento: o excesso de processamento é o desperdício no qual há um esforço durante a produção de alguma peça ou parte do produto no qual não agrega valor perceptível pelo cliente, sendo este esforço realizado pelo homem ou pela máquina.
  5. Inventário : também chamados de estoques, são os excessos de reservas de produtos acabados ou de matéria-prima. Um alto nível de estoque pode gerar custos adicionais de armazenagem, perda de produtos por validade ou obsolescência e esconder problemas em potencial do processo produtivo, como problemas com fornecedores e sintonia entre a produção e a demanda dos clientes (Liker, 2005).
  6. Movimentação: Diferente do desperdício por transporte, no qual está associado a locomoção dos produtos, a perda por movimentação são os movimentos desnecessários realizados pelos trabalhadores. Essa movimentação desnecessária pode ser gerada por falta de padronização das atividades exercidas pelos funcionários ou layouts desorganizados ou pouco eficientes para a produção.
  7. Defeitos: De acordo com Antunes (2008), as perdas por defeitos consistem na produção de produtos ou peças que não atendem aos requisitos mínimos estabelecidos de qualidade ou conformidade para o projeto. Essa perda está fortemente relacionada à perda por superprodução, visto que a produção de produtos defeituosos implica na produção de mais produtos para que possam suprir esse desfalque e atender a demanda.

Ferramentas do Lean Manufacturing

  1. Just in Time
  2. Jidoka
  3. 5S
  4. Kanban
  5. Gestão à Vista
  6. Poka-yoke
  7. Kaizen
  8. Troca Rápida de Ferramenta (TRF)
  9. Tempo Takt
  10. Manutenção Produtiva Total (MPT)

De acordo com Liker (2005), a implementação da produção enxuta pode ser comparada à construção de uma casa, demonstrando que o lean não é apenas um conjunto de técnicas, mas sim um sistema estruturado que adota além a filosofia Lean um conjunto de ferramentas de gestão Lean. Esse modelo de gestão pode ser visualizado na figura abaixo (Casa do Sistema de Produção Toyota):

Ferramentas do Lean Manufacturing

1. Just in Time -JIT

Just in time é uma de metodologia lean utilizada para aumentar a eficiência, cortar custos e diminuir o desperdício. O just in time é responsável por buscar a precisão da cadeia de produção, encaixando as operações e as execuções de acordo com o nível de demanda., onde tudo ocorre no seu devido tempo, nem antes, nem depois.

JIT é o primeiro pilar de sustentação da casa do STP e busca atender a demanda instantaneamente, com qualidade e sem desperdícios, entregando apenas o necessário, quando necessário e na quantidade necessária (SLACK, et al, 2009). Ele introduz o pensamento de produção puxada na filosofia lean, uma das suas principais características, onde a produção é baseada diretamente na demanda do cliente, e não direcionada para gerar estoques.

2. Jidoka

O conceito Jidoka, criado por Sakichi Toyoda (1867-1930), é considerado o segundo pilar de sustentação da casa do STP, está relacionado diretamente com o controle da qualidade de produção e significa automação com um toque humano, ou também conhecido como autonomação. Essa autonomação confere autonomia ao operador ou à máquina de parar o processamento na linha sempre que houver algum sinal de anormalidade na produção.

O Jidoka também visa diminuir o número de inspetores, principalmente os que realizam suas funções fora do processo de manufatura.

Com o recurso de fazer a máquina parar ao detectar qualquer anomalia, o próprio sistema impede a produção de materiais sem conformidade ou que algum material não conforme inserido no processo siga em diante,
dispensando dessa forma essa etapa da inspeção humano e fazendo com que o operador possa focar melhor suas atividades durante o processo produtivo e aumentando a eficiência do trabalho realizado.

3. 5S

De acordo com Falconi (2004), o 5S consiste em um sistema de organização do ambiente do trabalho, que envolve todas as pessoas da organização e é visto como uma nova maneira de conduzir a empresa com ganhos efetivos de produtividade. Esse programa não pode ser visto apenas como um episódio de limpeza, mas sim uma nova maneira de conduzir a empresa e que seja praticada a partir de então por todos os seus colaboradores.

Os 5S fazem referência a cinco palavras japonesas, que constituem uma técnica simples de arrumação com ênfase na melhoria da organização, limpeza e padronização e visual do ambiente de trabalho:

  1. Seiri – senso de utilização;
  2. Seiton – senso de ordenação:
  3. Seiso – senso de limpeza;
  4. Seiketsu – senso de saúde; e
  5. Shitsuke- senso de disciplina.

4. Kanban

Kanban, ou “cartão-controle” em seu país de origem, é uma técnica que visa controlar harmoniosamente as quantidades de produção em todos os processos puxados. Seu principal benefício é realizar esse controle por meio do quadro Kanban e delimitar um estoque limite para o processo.

Graça (2005) define a ferramenta como um mecanismo de programação, acompanhamento e controle do fluxo integrado material/informacional em Sistemas de produção enxuta, no qual um posto de trabalho subsequente transmite a necessidade de materiais para outro posto precedente através de cartões, painéis de visualização e sistemas eletrônicos/computadorizados, estabelecendo um fluxo integrado de informações entre diversas áreas de produção internas e externas (fornecedores) e clientes.

Quero saber mais sobre o Método Kanban

5. Gestão à Vista

Gestão à vista, ou também conhecido como gestão visual, consiste em um princípio no qual busca dispor as informações essenciais aos respectivos gestores e colaboradores de uma maneira clara e direta, auxiliando as tomadas de decisões e conferindo maior agilidade às informações prioritárias.

O conteúdo da gestão à vista deve ser personalizado para a realidade de cada empresa, considerando os principais indicadores relacionados à gerenciamento e tomada de decisão, como status das metas, quantidades produzidas e em estoque, número de peças com defeitos, número de paradas programadas e imprevistas na linha de produção, dentre outros.

Quero saber mais sobre o Gestão a Vista

6. Poka-yoke

A palavra Poka-yoke também tem origem japonesa, na qual “Poka” significa erro involuntário e “Yoke”, evitar. Assim, a ferramenta busca eliminar os erros durante o manuseio do material e criar um trabalho mais padronizado. Destinado a evitar a ocorrência de defeitos em processos de fabricação e/ou na utilização de produtos.

Poka Yoke é uma ferramenta da produção enxuta representada por simples dispositivos e/ou procedimentos que possuem como missão inicial prevenir o surgimento de erros em um processo produtivo através da eliminação de suas causas geradoras. Ela visa a identificação e tratamento da causa geradora do erro.

Quero saber mais sobre o Dispositivo Poka-Yoke

7. Kaizen

No Japão Kaizen significa melhoria contínua. Essa técnica busca o aumento do desempenho dos processos de produção e o aprimoramento do conhecimento, envolvendo uma política e cultura.

A metodologia Kaizen tem a característica de gerar resultados em um curto espaço de tempo e sem a necessidade de realizar grandes investimentos, com apoio no trabalho e cooperação entre um grupo determinado pela direção da empresa com propósito de alcançar as metas (IMAI, 1994).

Quero saber mais sobre a Filosofia Kaizen

8. Troca Rápida de Ferramenta (TRF)

O TRF é uma ferramenta que visa a redução do tempo de setup (configuração, instalação, organização, disposição ou regulagem.) das máquinas ou das células de produção com o objetivo de nivelar a produção, produzir estoques menores e eliminar desperdícios.

Sua aplicação impacta diretamente no lead time, conceito no qual define o tempo total para fabricar um determinado item, envolvendo tempos como de movimentação, inspeção, operação e configuração de máquinas, processamento e armazenagem.

O tempo otimizado reduzindo o lead time é considerado um investimento na satisfação do consumidor e na redução dos custos de manufatura (SLACK, 1999).

9. Tempo Takt

O tempo Takt (da definição alemã Taktzeit, onde Takt significa “tempo”, e Zeit significa “tempo”), é um importante indicador para utilização e entendimento da filosofia lean. Taiichi Ohno (1997) o define como o resultado da divisão do tempo diário de operação pelo número de materiais requeridos por dia. Portanto, ele procura definir o ritmo necessário da produção para atender adequadamente a demanda do cliente, e pode ser calculado pela
seguinte fórmula:

Dessa forma, é possível definir a frequência de produção que a empresa deve operar para atender de forma eficiente a sua demanda, sem gerar perdas por ociosidade ou sobrecarga de trabalho.

O valor obtido pela fórmula deve ser comparado com o tempo de ciclo, que é o tempo decorrido entre a repetição do início ao fim da operação. A máxima eficiência considerada por esses indicadores é sinalizada quando ambos se equivalem em valor. Se o valor do tempo takt for inferior ao tempo de ciclo, não serão atendidas todas as demandas realizadas. Caso este seja superior, são gerados custos adicionais devido a produção acima da demanda real.

10. Manutenção Produtiva Total (MPT)

A manutenção produtiva total (ou em inglês, Total Productive Maintenance) teve sua origem na Nippondenso, empresa fornecedora de componentes eletrônicos para a Toyota no início da década de 60. Ela é definida como um método de gestão que identifica as perdas existentes no processo produtivo e administrativo, maximiza a utilização do ativo industrial e garante a geração de produtos de alta qualidade a custos competitivos.

Esse método abrange o gerenciamento da manutenção dos equipamentos do processo produtivo a fim de garantir o fluxo contínuo da produção e diminuir a frequência de defeitos, paradas inesperadas ou altos custos de manutenção ou substituição de equipamentos.

11. Mapeamento do Fluxo de Valor (MFV)

O mapeamento do fluxo de valor é uma das ferramentas mais utilizadas da filosofia lean, conhecida também por ser responsável a dar início ao processo de mudança lean.

O MFV é utilizado para identificar as oportunidades de melhoria de um sistema e definir as demais ferramentas lean para tratar os desperdícios encontrados. Com ele, podemos ter benefícios como enxergar a relação entre fluxo de informação e fluxo de material, visualizar corretamente e detalhadamente o sistema produtivo, identificar fontes de desperdícios e proporcionar uma linguagem comum para tratar dos processos envolvidos.

Rother e Shook (2003) definem fluxo de valor como toda ação (agregando valor ou não) necessária para trazer
um produto por todos os fluxos essenciais a cada produto, que são: O fluxo de produção, que vai desde a matéria-prima até o consumidor; e o fluxo do projeto do produto, englobando o período de concepção até seu lançamento. Normalmente, para aplicações lean em ambiente fabril, é considerado apenas o fluxo de produção.

Como aplicar a Metodologia Lean?

  1. Identifique e defina o que é valor para o cliente;
  2. Faça uma mapeamento dos processos que levam a produção do valor para o cliente;
  3. Identifique a cadeia de valor e criar o fluxo de valor;
  4. Identifique os desperdícios existentes e suas causas raízes;
  5. Corrija os desperdícios;
  6. Estabeleça uma produção puxada;
  7. Monitore os resultados;
  8. Desenvolva uma cultura de Melhoria Contínua.

Muitas vezes há o pensamento de que a metodologia Lean só pode ser implementada em grandes empresas, sendo que na verdade ela se aplica a empresa de qualquer porte.

A forma de se aplicar o método Lean está diretamente ligada ao tamanho e características da atividade produtiva da organização, e a forma de que essa é executada no momento.

De forma resumida, evolve uma análise do processo produtivo, a identificação de desperdícios e a adoção de ações corretivas adequadas.

O principal passo rumo a eliminação dos desperdícios é fazer o mapeamento de todas as atividades e processos da empresa com o objetivo de identificar o que pode ser melhorado ou otimizado.

Para aplicação da metodologia Lean use como referencia o Sistema Toyota de Produção, adotando, quando necessário e aplicável, as Ferramentas do Lean Manufacturing.

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Forte abraço e sucesso!
José Sérgio Marcondes – CES
Especialista em Segurança Empresarial
Consultor em Segurança Privada
Diretor do IBRASEP

Leia também…

Sugiro a leitura dos artigos a seguir como forma de complementar o aprendizado desse artigo.

Gestão à Vista: O que é, Para que serve, Como Funciona

Poka-Yoke: O que é, Características, 3 Funções Básicas, Exemplos

Kaizen: O que é, Filosofia, Objetivos, Princípios, Ferramentas

Dados para Citação Artigo

MARCONDES, José Sérgio (07 de abril de 2022). Metodologia Lean – O que é? Objetivos, Para que serve. Disponível em Blog Gestão de Segurança Privada: https://gestaodesegurancaprivada.com.br/metodologia-lean-o-que-e-para-que-serve/– Acessado em (inserir data do acesso).

Referencia Bibliográficas

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SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JONHNSTON, Robert. Administração da Produção. 3ª edição – São Paulo: Atlas, 2009.

SHINGO, S. O sistema Toyota de produção do ponto de vista da engenharia de produção. 2ª. edição. Porto Alegre: Bookman, 1996.

ANTUNES, Junico. Sistemas de Produção: Conceitos e práticas para projeto e gestão da produção enxuta. São Paulo, Artmed Editora, 2008.

OHNO, Taiichi. O sistema Toyota de produção além da produção. Bookman, 1997.

LIKER, Jeffrey. O Modelo Toyota: 14 Princípios de Gestão do Maior Fabricante do Mundo.
Porto Alegre: Bookman, 2005.

WOMACK, J. E JONES,D., DANIEL,T., Lean Consumption. Harvard Business Review, Março 2005

SCHULTZ, Don; TANNENBAUM, Stanley; LAUTERBORN, Robert. Comunicação integrada de marketing. O Novo Paradigma do Marketing. São Paulo: Makron Books, 1994

Giannini, R. (2007). Aplicação de Ferramentas do Pensamento Enxuto na redução de Perdas em Operações de Serviços. SP: Dissertação de Mestrado.

GRAÇA, Antônio José Dias. Just-in-time: uma ferramenta de sucesso no processo produtivo. São Paulo: Publifolha, 2005.

FALCONI, Vicente. TQC – Controle Total da Qualidade, 2.ed. Minas Gerais: INDG, 2004.

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Sobre o Autor

José Sergio Marcondes
José Sergio Marcondes

Graduado em Gestão de Segurança Privada, MBA em Gestão Empresarial e Segurança Corporativa. Detentor das Certificações CES (Certificado de Especialista em Segurança Empresarial), CPSI (Certificado Profesional en Seguridad Internacional), CISI (Certificado de Consultor Internacional en Seguridad Integral, Gestión de Riesgos y Prevención de Pérdidas). Mais de 30 anos de experiência na área de segurança privada. Consultor e diretor do IBRASEP, trazendo uma notável expertise em segurança, além de possuir sólidos conhecimentos nas áreas de gestão empresarial.

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