📌O Triângulo da Fraude é um modelo teórico que explica que a maioria dos atos fraudulentos nas organizações ocorre quando três fatores estão presentes simultaneamente: pressão, oportunidade e racionalização. Quando esses três elementos se alinham, o risco de fraude aumenta significativamente.

Embora a fraude corporativa muitas vezes seja associada a grandes escândalos financeiros, a verdade é que ela pode surgir em qualquer empresa, independentemente do porte ou segmento. Pequenas manipulações contábeis, desvios de recursos, fraudes em relatórios financeiros ou apropriação indevida de ativos seguem, em grande parte, a mesma lógica comportamental descrita pelo triângulo da Fraude.

Compreender o que é o Triângulo da Fraude não é apenas um exercício teórico. Trata-se de uma ferramenta estratégica utilizada em auditoria, compliance, governança corporativa e gestão de riscos. Ao identificar os elementos que favorecem o comportamento fraudulento, gestores e profissionais de controle interno conseguem atuar de forma preventiva, reduzindo vulnerabilidades e fortalecendo a cultura ética da organização.

Se você deseja compreender profundamente as causas da fraude corporativa e aprender como transformar esse conhecimento em vantagem estratégica, continue a leitura. O entendimento desse modelo pode mudar a forma como você enxerga riscos dentro das organizações.

O que é o Triângulo da Fraude?

O Triângulo da Fraude é um modelo teórico que explica por que indivíduos cometem fraudes dentro de organizações. De maneira clara e direta, ele afirma que um ato fraudulento tende a ocorrer quando três condições estão presentes ao mesmo tempo: pressão, oportunidade e racionalização.

Em outras palavras, o modelo sugere que a fraude não acontece por acaso. Ela surge da combinação de:

  1. Uma motivação ou pressão que impulsiona o indivíduo
  2. Uma brecha ou falha no sistema que permite a execução do ato
  3. Uma justificativa interna que reduz o peso moral da decisão

Quando esses três elementos se alinham, o risco de fraude aumenta significativamente.

A força do Triângulo da Fraude está justamente na interação entre seus pilares. A pressão sozinha não gera fraude se não houver oportunidade. Da mesma forma, controles frágeis não resultam necessariamente em irregularidades se não houver motivação ou racionalização. É a convergência desses fatores que cria o cenário ideal para o comportamento ilícito.

No contexto da auditoria e investigação corporativa, esse modelo é amplamente utilizado como ferramenta de avaliação de risco. Auditores internos e externos analisam:

  • Ambientes com metas agressivas ou incentivos financeiros desproporcionais
  • Setores com controles internos frágeis ou baixa segregação de funções
  • Culturas organizacionais que toleram pequenos desvios éticos

A partir dessa análise, os profissionais conseguem direcionar testes, revisões e procedimentos investigativos para áreas mais vulneráveis. Assim, o Triângulo da Fraude deixa de ser apenas um conceito acadêmico e se transforma em um instrumento prático de prevenção e detecção.

O que é fraude no contexto corporativo?

Fraude corporativa é um ato intencional de engano praticado por um colaborador, gestor ou terceiro com o objetivo de obter benefício próprio ou vantagem indevida, causando prejuízo à organização ou a outras partes interessadas.

O elemento central aqui é a intenção. Diferentemente de um erro operacional, a fraude envolve consciência e propósito.

Diferença entre erro e fraude

Essa distinção é crucial para auditoria e compliance:

  • Erro: ocorre de forma não intencional, geralmente por falha humana, desconhecimento ou descuido.
  • Fraude: envolve manipulação deliberada, omissão ou distorção de informações para benefício próprio ou de terceiros.

Por exemplo, registrar um valor incorreto por descuido é um erro. Alterar propositalmente números para inflar resultados financeiros é fraude.

No dia a dia corporativo, a fraude pode assumir diversas formas, entre elas:

  • Manipulação de demonstrações financeiras para atingir metas de desempenho
  • Desvio de ativos, como apropriação indevida de recursos do caixa
  • Fraude em reembolsos, com apresentação de despesas fictícias
  • Conluio com fornecedores, visando vantagens pessoais
  • Uso indevido de informações privilegiadas

Em todos esses casos, ao analisar o comportamento sob a ótica do Triângulo da Fraude, é possível identificar algum nível de pressão, oportunidade e racionalização presentes.

A Origem da Teoria: O Legado de Donald Cressey

A Teoria do Triângulo da Fraude não surgiu de suposições teóricas abstratas, mas de uma investigação empírica conduzida por um pesquisador que buscava entender o comportamento humano por trás dos crimes financeiros.

Donald R. Cressey foi um criminologista e sociólogo norte-americano que, na década de 1950, dedicou-se a estudar crimes cometidos por pessoas em posição de confiança. Seu trabalho marcou um divisor de águas na análise da fraude corporativa, pois deslocou o foco do ato em si para a motivação do indivíduo.

Durante suas pesquisas, Cressey entrevistou cerca de 200 indivíduos condenados por crimes financeiros, especialmente desfalques e apropriação indevida de recursos. Ele chamou esses indivíduos de “violadores de confiança”, expressão que evidencia um ponto central de sua teoria: a fraude ocorre, em muitos casos, quando alguém que ocupa um cargo de confiança decide quebrar essa relação.

O resultado desse estudo foi publicado na obra Other People’s Money, que se tornou referência no campo da criminologia. Nesse livro, Cressey analisou padrões comportamentais recorrentes entre os entrevistados e identificou elementos comuns que antecediam os atos fraudulentos.

Essa pesquisa forneceu a base conceitual para aquilo que mais tarde seria reconhecido mundialmente como o Triângulo da Fraude.

Como nasceu o Triângulo da Fraude?

O nascimento do Triângulo da Fraude está diretamente ligado às entrevistas realizadas por Cressey com pessoas condenadas por crimes financeiros. O objetivo era simples, mas profundo: entender por que indivíduos considerados confiáveis decidiram cometer fraudes.

Ao analisar os depoimentos, ele percebeu que três fatores apareciam de forma consistente nos relatos:

  • Pressão ou problema financeiro percebido como insolúvel
  • Oportunidade para cometer o ato sem ser descoberto
  • Racionalização que tornava a ação moralmente aceitável aos próprios olhos

Esses três elementos não eram aleatórios. Eles se repetiam com frequência suficiente para formar um padrão claro de comportamento. A partir dessa constatação, consolidou-se o modelo explicativo que hoje conhecemos como Triângulo da Fraude.

Inicialmente, a teoria ganhou força na criminologia. Posteriormente, passou a ser amplamente adotada nas áreas de auditoria, contabilidade forense e governança corporativa. Com o avanço das práticas de controle interno e compliance, o modelo tornou-se uma ferramenta essencial para avaliação de riscos de fraude.

Atualmente, o Triângulo da Fraude é utilizado internacionalmente como base conceitual para normas de auditoria, investigações corporativas e programas de prevenção. Seu legado permanece relevante porque oferece uma explicação estruturada e prática sobre como e por que a fraude ocorre dentro das organizações.

Os Três Pilares do Triângulo da Fraude

Os três elementos que sustentam o Triângulo da Fraude são: pressão ou incentivo, oportunidade e racionalização. Quando esses fatores convergem, o risco de fraude aumenta de maneira significativa.

1. Pressão ou Incentivo

A pressão, também chamada de incentivo ou motivação, é o gatilho inicial dentro do Triângulo da Fraude. Trata-se da necessidade ou circunstância que leva o indivíduo a considerar a possibilidade de cometer um ato ilícito.

Essa pressão pode assumir diferentes formas:

  • Pressões pessoais, como dívidas, problemas familiares ou padrão de vida elevado
  • Pressões financeiras, como perda de renda, vícios ou dificuldades econômicas
  • Pressões organizacionais, como metas agressivas, bônus atrelados a resultados ou medo de demissão

Em muitos casos, o problema é percebido como não compartilhável. O indivíduo acredita que não pode expor sua situação sem comprometer sua reputação ou posição profissional. Essa percepção cria um terreno fértil para decisões equivocadas.

Além disso, ambientes corporativos altamente orientados a desempenho podem intensificar esse fator. Metas inatingíveis e uma cultura focada exclusivamente em resultados financeiros tendem a gerar tensão constante. Quando a mensagem implícita é “entregue resultados a qualquer custo”, o risco se amplia.

Um exemplo prático ajuda a ilustrar esse ponto. Imagine um gestor cuja remuneração variável depende exclusivamente do lucro trimestral. Diante da possibilidade de não alcançar o objetivo, ele pode sentir-se pressionado a antecipar receitas ou postergar despesas para melhorar artificialmente os números.

No contexto do Triângulo da Fraude, a pressão não justifica o ato, mas explica o ponto de partida do comportamento fraudulento.

2. Oportunidade

Se a pressão é o impulso, a oportunidade é a porta aberta. No Triângulo da Fraude, esse é o único elemento que a organização pode controlar diretamente por meio de sistemas e processos.

A oportunidade surge quando existem falhas em:

  • Controles internos
  • Governança corporativa
  • Segregação de funções
  • Supervisão gerencial
  • Processos de auditoria

Por exemplo, quando um único colaborador tem autonomia para autorizar pagamentos, registrar lançamentos e conciliar contas, cria-se um ambiente propício para irregularidades. A ausência de segregação de funções reduz o risco de detecção e aumenta a percepção de impunidade.

Falhas na governança também ampliam a oportunidade. Conselhos pouco atuantes, auditorias internas ineficazes ou falta de transparência nas decisões estratégicas podem facilitar manipulações.

A tecnologia adiciona uma camada importante a essa discussão. Sistemas digitais sofisticados, associados a IA, permitem rastrear transações em tempo real, aplicar análises de dados e identificar padrões suspeitos. Por outro lado, a complexidade tecnológica também pode criar novas brechas, especialmente quando não há monitoramento adequado.

Fraudes envolvendo manipulação de sistemas financeiros, uso indevido de acessos privilegiados ou alterações em bases de dados demonstram que a oportunidade evolui junto com a transformação digital.

Dentro do Triângulo da Fraude, a redução da oportunidade é uma das estratégias mais eficazes de prevenção.

2. Racionalização

O terceiro pilar do Triângulo da Fraude é a racionalização. Trata-se do processo psicológico pelo qual o indivíduo justifica seu comportamento para si mesmo. Antes ou depois do ato, o fraudador constrói uma narrativa interna que reduz o conflito moral. Ele precisa acreditar que sua conduta é aceitável, temporária ou justificável.

Algumas frases comuns ilustram esse mecanismo:

  • “É só um empréstimo, depois eu devolvo.”
  • “A empresa não vai sentir falta.”
  • “Todo mundo faz isso.”
  • “Eu mereço mais do que recebo.”

Esse processo de autojustificação é essencial, pois a maioria das pessoas não se enxerga como criminosa. A racionalização preserva a autoimagem positiva.

A cultura organizacional exerce forte influência nesse elemento. Empresas que toleram pequenas irregularidades, ignoram conflitos éticos ou premiam resultados sem questionar os meios contribuem para normalizar comportamentos desviantes.

Por isso, o papel da liderança é decisivo. Quando gestores demonstram integridade, comunicam valores de forma clara e aplicam regras com consistência, reduzem o espaço para justificativas internas.

Uma liderança ética fortalece a percepção de responsabilidade coletiva. Consequentemente, enfraquece o pilar da racionalização dentro do Triângulo da Fraude.

Ao analisar os três pilares de forma integrada, torna-se evidente que a fraude não decorre de um único fator isolado. Ela é o resultado da interação entre motivação, vulnerabilidade estrutural e construção psicológica de justificativas.

Triângulo da Fraude

A Evolução do Triângulo da Fraude para Diamante da Fraude

O Triângulo da Fraude permanece como uma das estruturas mais influentes para explicar o comportamento fraudulento. No entanto, à medida que o ambiente corporativo se tornou mais complexo e tecnológico, estudiosos passaram a questionar se os três elementos originais eram suficientes para explicar todas as fraudes modernas.

Por que o Triângulo da Fraude evoluiu?

Embora o Triângulo da Fraude seja extremamente útil, ele apresenta algumas limitações quando analisamos fraudes contemporâneas de grande porte.

Primeiramente, o modelo original foca fortemente nos aspectos psicológicos e situacionais do indivíduo. Contudo, fraudes modernas muitas vezes envolvem:

  • Estruturas organizacionais complexas
  • Sistemas tecnológicos sofisticados
  • Esquemas colaborativos entre múltiplos agentes
  • Operações financeiras de alta complexidade

Nesse cenário, apenas ter pressão, oportunidade e racionalização pode não ser suficiente para que a fraude ocorra. É necessário também que o indivíduo possua habilidade e competência para executar o esquema.

Além disso, casos emblemáticos de fraudes corporativas demonstraram que alguns fraudadores ocupavam posições estratégicas e dominavam profundamente os sistemas de controle. Isso evidenciou uma lacuna no modelo clássico. Assim, a necessidade de incorporar um novo elemento levou à ampliação da teoria.

O Diamante da Fraude e a inclusão da Capacidade

A evolução mais conhecida do Triângulo da Fraude é o chamado Diamante da Fraude, que adiciona um quarto elemento: capacidade. A capacidade refere-se à aptidão do indivíduo para identificar a oportunidade, executar o plano fraudulento e sustentar o esquema ao longo do tempo sem ser descoberto.

Esse fator envolve características como:

  • Habilidades técnicas específicas
  • Conhecimento profundo dos processos internos
  • Acesso privilegiado a sistemas e informações
  • Inteligência estratégica para manipular controles
  • Autoconfiança e habilidade de lidar com pressão

Por exemplo, um colaborador pode sentir forte pressão financeira e perceber uma falha no sistema. No entanto, se ele não tiver conhecimento contábil ou acesso adequado, a fraude dificilmente ocorrerá. Já um executivo com amplo domínio das demonstrações financeiras e influência hierárquica pode manipular resultados com muito mais facilidade.

Portanto, o Diamante da Fraude complementa o modelo original ao reconhecer que a fraude não depende apenas da motivação e da oportunidade, mas também da competência para explorá-las.

Limitações da Teoria do Triângulo da Fraude

Embora o Triângulo da Fraude seja amplamente reconhecido como um dos modelos mais relevantes para explicar a fraude corporativa, ele não está isento de críticas. Ao longo das décadas, estudiosos e profissionais de auditoria identificaram limitações que merecem atenção, especialmente diante da crescente complexidade das organizações modernas.

Analisar essas restrições não diminui a importância do modelo. Pelo contrário, amplia sua compreensão e permite uma aplicação mais estratégica e crítica.

1. Simplificação excessiva do comportamento humano

Uma das principais críticas ao Triângulo da Fraude está na sua aparente simplicidade. O modelo parte da premissa de que três fatores explicam a maioria das fraudes. No entanto, o comportamento humano é multifacetado e influenciado por variáveis psicológicas, sociais e institucionais muito mais amplas.

2. Fatores externos e sistêmicos

Outra limitação importante do modelo está na pouca ênfase dada a fatores externos. O Triângulo da Fraude concentra-se principalmente em elementos internos ao indivíduo e à organização, mas o ambiente macroeconômico também exerce forte influência.

Crises econômicas, por exemplo, tendem a intensificar pressões financeiras e aumentar incentivos para manipulação de resultados. Em períodos de instabilidade, empresas enfrentam queda de receitas, investidores mais exigentes e maior risco de insolvência. Esse cenário pode estimular decisões inadequadas.

3. Cultura organizacional e fatores estruturais

Outro ponto crítico envolve a cultura organizacional. Embora o modelo inclua a racionalização como componente psicológico, ele não aprofunda suficientemente o papel das estruturas institucionais na formação de comportamentos.

Um ambiente permissivo, onde pequenas irregularidades são toleradas, pode gradualmente normalizar desvios mais graves. Quando a organização envia sinais ambíguos sobre ética e integridade, cria-se um terreno propício para justificativas coletivas.

Reconhecer essas limitações não invalida o modelo. Pelo contrário, fortalece sua aplicação ao integrar fatores comportamentais, estruturais e ambientais na análise de riscos corporativos.

Aplicações Práticas da Teoria do Triângulo da Fraude

Compreender o Triângulo da Fraude é essencial, mas transformar esse conhecimento em ação é ainda mais estratégico. A verdadeira força do modelo está na sua aplicação prática. Ao atuar diretamente sobre cada um de seus pilares, as organizações conseguem reduzir significativamente o risco de fraudes.

A prevenção eficaz não depende de uma única medida isolada. Ela exige uma abordagem integrada, estruturada e consistente.

1. Como reduzir a Pressão

Embora a pressão seja o elemento mais subjetivo do Triângulo da Fraude, as empresas podem adotar medidas concretas para minimizá-la.

a) Metas realistas

Estabelecer objetivos alcançáveis é um passo fundamental. Metas excessivamente agressivas criam um ambiente de tensão permanente e incentivam atalhos perigosos. Por isso, a definição de indicadores deve considerar:

  • Capacidade operacional real
  • Condições de mercado
  • Recursos disponíveis

Quando o colaborador percebe que os objetivos são justos e viáveis, reduz-se a probabilidade de recorrer a práticas irregulares para “cumprir números”.

b) Programas de apoio ao colaborador

Outro ponto relevante é o suporte oferecido aos profissionais. Programas de assistência psicológica, orientação financeira e canais de diálogo aberto ajudam a reduzir pressões pessoais que poderiam desencadear decisões equivocadas. Ambientes onde o colaborador sente que pode buscar ajuda sem receio tendem a ser mais resilientes contra fraudes.

c) Políticas de remuneração equilibradas

Modelos de remuneração exclusivamente baseados em resultados financeiros podem aumentar riscos. Uma política equilibrada deve combinar:

  • Metas quantitativas
  • Avaliação de comportamento ético
  • Indicadores de conformidade

Dessa forma, a organização envia uma mensagem clara: o desempenho é importante, mas a integridade é inegociável.

2. Como minimizar a Oportunidade

No contexto do Triângulo da Fraude, a oportunidade é o elemento mais controlável. Ela depende diretamente da qualidade dos sistemas de controle e governança.

a) Fortalecimento dos controles internos

Controles internos robustos são a primeira linha de defesa. Isso inclui procedimentos formais, documentação adequada e monitoramento contínuo. Processos bem estruturados dificultam manipulações e aumentam a probabilidade de detecção precoce.

b) Segregação adequada de funções

A separação de responsabilidades é essencial. Nenhum colaborador deve concentrar em si todas as etapas de um processo crítico. Por exemplo:

  • Quem autoriza pagamentos não deve executá-los
  • Quem registra lançamentos não deve conciliá-los
  • Quem aprova contratos não deve fiscalizá-los sozinho

Essa divisão reduz drasticamente o risco de fraude.

c) Auditorias internas e externas regulares

Auditorias periódicas reforçam a cultura de controle e aumentam a percepção de fiscalização. Além de identificar falhas, elas funcionam como mecanismo dissuasório. A combinação entre auditoria interna e externa amplia a independência da análise e fortalece a governança.

d) Canal de denúncias eficiente

Um canal de denúncias seguro, confidencial e acessível é peça-chave na prevenção. Muitas fraudes são descobertas por meio de relatos internos. Para que funcione, o sistema deve garantir:

  • Anonimato
  • Proteção contra retaliação
  • Investigação imparcial

Quando os colaboradores confiam no processo, a oportunidade de perpetuar irregularidades diminui.

3. Como combater a Racionalização

O terceiro pilar do Triângulo da Fraude, a racionalização, está profundamente ligado à cultura organizacional. Combatê-lo exige clareza de valores e consistência na prática.

a) Código de ética claro

Um código de ética bem estruturado estabelece padrões de conduta e orienta decisões. Ele deve ser acessível, objetivo e aplicável à realidade da organização. Mais do que um documento formal, precisa ser um guia vivo.

b) Treinamentos contínuos

Treinamentos regulares reforçam a importância da integridade. Eles ajudam os colaboradores a identificar riscos, compreender consequências e refletir sobre dilemas éticos. A educação contínua reduz a tendência de normalizar pequenos desvios.

c) Tom da liderança

O comportamento da alta gestão influencia toda a organização. Quando líderes demonstram coerência entre discurso e prática, fortalecem a cultura de integridade. O chamado “tom da liderança” é determinante para reduzir justificativas internas. Se a liderança age com transparência, a racionalização perde força.

d) Consequências consistentes para desvios

Por fim, regras sem aplicação efetiva perdem credibilidade. Quando irregularidades são tratadas com rigor proporcional e justiça, a organização envia uma mensagem inequívoca. A consistência nas consequências elimina a percepção de impunidade e enfraquece argumentos de autojustificação.

Ao atuar simultaneamente sobre pressão, oportunidade e racionalização, as organizações transformam o entendimento do Triângulo da Fraude em vantagem estratégica. A prevenção deixa de ser reativa e passa a integrar a gestão de riscos de forma estruturada e permanente.

A Importância Estratégica do Triângulo da Fraude para as Organizações

O Triângulo da Fraude representa uma ferramenta estratégica essencial para empresas que desejam fortalecer sua governança, reduzir riscos e proteger sua reputação no longo prazo. Mais do que explicar por que a fraude acontece, o Triângulo da Fraude orienta decisões estratégicas e políticas internas capazes de transformar a cultura organizacional.

1. Gestão de riscos e governança corporativa

No contexto da gestão de riscos, o Triângulo da Fraude funciona como um mapa analítico. Ele permite que gestores identifiquem vulnerabilidades antes que elas se convertam em prejuízos concretos. Ao integrar o modelo à estrutura de governança corporativa, a organização passa a avaliar riscos sob três perspectivas fundamentais:

2. Desenvolver treinamentos direcionados

Em vez de reagir apenas quando um problema surge, a organização passa a atuar de forma preventiva. A avaliação antecipada de riscos permite corrigir falhas estruturais, ajustar incentivos e fortalecer mecanismos de supervisão. Consequentemente, o modelo se torna um aliado da tomada de decisão estratégica, apoiando conselhos de administração, comitês de auditoria e alta gestão.

3. Proteção da reputação e sustentabilidade empresarial

Fraudes corporativas não geram apenas perdas financeiras. Elas comprometem a confiança de investidores, clientes, colaboradores e parceiros de negócio. Em muitos casos, o dano reputacional supera o prejuízo financeiro direto.

Ao aplicar os princípios do Triângulo da Fraude, a organização reduz significativamente a probabilidade de escândalos que possam comprometer sua imagem. A prevenção consistente transmite ao mercado uma mensagem clara de responsabilidade e compromisso com a integridade.

Nesse cenário, o Triângulo da Fraude assume papel estratégico central. Ele não apenas explica comportamentos, mas orienta a construção de organizações mais resilientes, éticas e preparadas para os desafios do ambiente corporativo contemporâneo.

Conclusão

O Triângulo da Fraude permanece como um dos modelos mais relevantes para compreender por que a fraude ocorre dentro das organizações. Ao revelar a interação entre pressão, oportunidade e racionalização, ele oferece uma estrutura clara para analisar comportamentos, identificar vulnerabilidades e agir de forma preventiva.

Ao longo deste artigo, vimos que o conceito vai além da teoria. Ele se conecta diretamente à auditoria, ao compliance, à governança corporativa e à gestão estratégica de riscos. Também exploramos sua evolução para o Diamante da Fraude, suas limitações e, principalmente, suas aplicações práticas no ambiente empresarial moderno.

Em um cenário corporativo cada vez mais complexo e competitivo, prevenir fraudes não é apenas uma questão de conformidade. É uma decisão estratégica que impacta reputação, sustentabilidade e crescimento a longo prazo.

Um forte abraço e votos de sucesso!

Autor José Sergio Marcondes

Diretor Executivo no IBRASEP. Apaixonado pela área de segurança privada, dedica-se continuamente ao estudo e à disseminação de conhecimento, sempre com a missão de desenvolver e valorizar o setor e os profissionais que atuam nele.

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Sobre o Autor

Autor José Sergio Marcondes
Autor José Sergio Marcondes

Diretor Executivo IBRASEP | Gestor de Segurança Privada | Especialista em Segurança Corporativa | Consultor Sénior | Professor | Mentor | Gestão de Pessoas e Processos | Foco em Performance através do Desenvolvimento de Líderes e Equipe | Graduado em Gestão de Segurança Privada | MBA Gestão Empresarial | MBA Gestão de Segurança Corporativa | Certificações CES, CISI e CPSI | Mais de 30 anos de experiência no setor da Segurança Privada | Apaixonado pela área de segurança privada, dedica-se continuamente ao estudo e à disseminação de conhecimento, sempre com a missão de desenvolver e valorizar o setor e os profissionais que atuam nele.

8 Comentários

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  1. Olá Jamile!
    Obrigado pelo seu elogio.
    Forte abraço e sucesso.

  2. Olá Armando!
    Obrigado pelo seu comentário.
    Forte abraço e sucesso.

  3. Muito bom artigo. Não conhecia o assunto. Adoro teorias e suas hipóteses,

  4. Olá Sidney!
    Obrigado pelo comentário.
    Forte abraço e sucesso.

  5. Conteúdo riquíssimo, obrigado pelas pautas mensuradas de forma tão detalhada!

  6. Olá José da Lucia!
    Obrigado pelo comentário.
    Forte abraço!

  7. O artigo e deveras actual, pois explica os processos psicologicos ate a concretizacao da fraude. (irma gemia da corrupcao) o cancro da sociedade.

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